quarta-feira, julho 07, 2004

Lá ia eu, rua afora, saltando e pulando de pedrinha da calçada em pedrinha da calçada (sim! é assim que eu me desloco!).
Até que... caio! E notem, não foi uma queda qualquer, que depois da qual nos levantamos com uma cara manchada de vermelho idiota, mas sim uma queda, aliás eu chamar-lhe-ia uma derrocada do meu aspecto, porque com a mania que aprendi com uma americana maluca ando sempre de cabeça levantada, levantada de mais. De inicio até achei graça, mas o problema é que nem essa tecnica é completamente infalivel de quedas, aliás é bem mais propicia a tal.
Passo a explicar; ontem ia feliz da vida, baixa tripeira afora, ter com uns amigos com quem já não tinha o prazer de estar á mais de 2 anos.
Ia também a lambuzar-me de gordura animal com um hamburguer e a produzir quantidades incomensuraveis de baba com uma coca cola fresquinha a estalar.
Para quem observava de fora até havia de pensar que a vida me corria bem, afinal eu estava com cara de rapazinho saudavel, isso significava que os malditos Mcdonald's ainda não tinham rebentado, qual bomba de estilhaços, com os meus intestinos, o que é francamente bom para mim.
Apercebendo-me disso relembro a americana maluca... "ok! sem ser nessas poses!" - penso. Rebobino o filme e agora sim! as palavras dela vêm-me á mente. Ergo a cabeça como quem quer enfrentar o munco com o cortex frontal e agora ainda mais tropego com o efeito da gordura animal continuo a minha viagem. Pelo menos não me importava que assim fosse, mas o problema começa precisamente segundos depois do anteriormente descrito, quando não reparo numa placa que espetada no meio da rua avisa os mais desprevenidos: "Cuidado ó filho da putª!! Não vês que tamos com uma putª de uma tampa de saneamente levantada? Tem cuidado que ainda bates com o filho da putª dos cornºs no chão ó bºi!!" Só vim a ter conhecimento de que esta placa se encontrava no local do acidente, já hospitalizado. Foi uma autentica "queda para o infinito", gosto de lhe chamar assim para não ter que dizer a ninguem que bati de cara contra um monte de merdª que sabe-se lá de quem é! Mas sim! essa é a verdade, eu cai num buraco de saneamento publico em plena baixa do porto. Aqueda até que nem demorou muito, para ser franco nem dei conta de que estava em maus lençois, apenas reparei num estranho cheiro que vinha da frente, que agora se encontrava estranhamente escura... Mas de imediato um trolha se prontificou a aclarear-me a minha condição dizendo: "ó ganda bºi! olha que cªrªlhª!! ó Armando!! ò pá chamem o Armando, que houve um filho da putª de um um maluco do cªrªlhº que se amandou páki... Eu sei lá comé k tá o gajo!! Isto é com cada filho da putª!! Esta merdª a correr bem, vai me este ganda boi amandar-se páki!"
A verdade é que eu não gostava assim tanto de esgotos como este trolha fizera parecer. A ambulancia finalmente apareceu e lá me enfiaram tinóni adentro a caminho do hospital. Hoje estou com severas queimaduras na face e região dos ombros graças a um granda boi que se lembrou de limpar uma sanita com soda caustica!

domingo, dezembro 14, 2003

Carta enviada á TVI

Saudações tétricas

Já há muito tempo que ando com pontadas lancinantes na zona do cérebro denominada “córtex frontal”. Sou um jovem de 18 anos e creio que isso não é normal acontecer a alguém com a minha idade, por isso decidi fazer um historial do que me poderia ter provocado estas dores infernais. Comecei a pensar em tudo o que tinha comido, mas é o mesmo desde há 18 anos, não podia ser isso, pensei (sempre acompanhado pelas pontadas lancinantes, quais bandarilhas vermelhas vivas em ebulição) em mais algumas possíveis hipóteses, mas nenhuma delas me pareceu ser o MEU problema (que agora, com o calor de Agosto aumenta de dia para dia e até chega ao ponto de me pôr as meninges a latejar).
Quando menos espero, olho para a televisão e o que vejo!? Mesmo á minha frente estava a origem do MEU problema!! Era a TVI no seu auge a transmitir uma tenebrosa festa da pandega e do regabofe, creio que a festejar uma das suas telenovelas sumarentas (a nível de argumento).
Este meu clímax culmina com a entrada em palco de uma dupla simpática de jovens pseudo talentos da “boa” música popular portuguesa, bem apreciada por comunidades, também elas portuguesas, espalhadas por esse mundo fora.
Neste momento dou por mim a espetar objectos contundentes na zona do abdómen, o que me tem causado múltiplas dilacerações no fígado.
Se o problema fosse só este, eu até nem me importava assim tanto, afinal também sou “pecador” e bem preciso duma penitência pesada para me redimir.
Ainda mais se agrava o MEU problema aquando da abertura da boca destes jovens “talentos” seguida pelo emitir de sons que até parecem palavras articuladas de forma coerente, aos quais o publico reage com uma salva de palmas acompanhada também pela emissão de interjeições do tipo: “weeeeeeeee!!!”, “uouuuuuuuuu!!”, “haaaaaa!!!” e ainda: “Vai Esdrubal, Rudiães está contigo!!”, “És o maior, Esdrubal!!”.
Neste momento já estou hipnotizado com as cores do palco, deixo de me conseguir controlar e até já nem consigo espetar um garfo nos olhos. Continuo a ver o show e deambulo, triste e sem o saber, pela programação de “qualidade” deste nosso magnifico canal, desta TVI do coração, digo isto porque já tive três ataques do miocárdio por “excesso de consumo de TVI”.
Levo, literalmente, com quinze minutos de publicidade aos mais variados produtos, mas a que mais me agrada é a publicidade à própria TVI, então aquando da visualização desta, já quase a acordar do hipnotismo anterior, volto a cair num estado vegetativo, neste momento já não consigo fechar os olhos, o meu corpo ganha um peso adicional, “deve ser da cultura”–Penso.
Arrasto-me pela sala a tentar escapar da Morte mas a TVI ganha ao passar um anuncio a uma das centenas de novelas que dispõe na linha de produção. Começo a ofegar rápida e anormalmente, até chega o ponto de me faltar o ar a tanta oxigenação que o meu cérebro está sujeito, é este preciso momento que gosto menos; porque caio pesada e inconscientemente sobre o soalho duro.
Acordo sempre nas urgências do hospital S. João no Porto, com umas estranhas ligaduras na cabeça e com os pulsos e tornozelos amarrados, à maca, com correntes de aço.
Costumo passar cerca de uns 2 dias em estado de observação, até que os médicos, esses idiotas, se lembram de me mandar para casa, eu peço sempre encarecidamente para que não o façam, mas que podem eles?
Lá vou eu para casa, ainda sem saber o que me provocou aquela estadia no hospital, mas mesmo assim, consciente de que não foi uma coisa boa. Bato a porta de casa (já comigo no interior) e penso: “Tens que começar a ter mais cuidado”; “Agora fica atento!!”. Mas de nada me servem estes incentivos.
Volto agora a ligar a malfadada televisão e quem eu vislumbro? Júlio Magalhães, esse monstro da comunicação, digo monstro no sentido literal pois esse senhor é um dos culpados das minhas sucessivas auto imolações parciais. Tudo começa quando presto atenção a uma senhora de 98 anos a responder, emocionada, ao repórter e aproveito para ler o que está a passar em rodapé: “Ela é cega, tem um filho tetraplégico, o marido morreu atropelado por um camião e eles não têm dinheiro para comer....” até aqui, fico em solidariedade para com a família e questiono, arrependido, se isto será sensacionalismo... As minhas previsões mais primárias ganham razão aquando da continuação da leitura da mesma noticia “..... é o caso triste e dramático desta família aqui na TVI”. Quer dizer, EU ESTAVA TÃO PERTO DE ACREDITAR NA VOSSA CREDEBILIDADE!!!
O pior de tudo nem é isso, pronto sou mais um a ser enganado e consciente de que o fui, mas o GRANDE problema é que revivo um estado de hipnose, muito parecido com os atrás descritos, só com a única diferença de que agora tento mortificar os meus tímpanos inserindo no orifício auricular um escopro de pedreiro, passo a explicar, é um objecto em aço que é utilizado para partir pedra, geralmente granito, que como presumo que saibam é uma rocha bem dura.
Neste momento a minha vida é isto, do hospital para casa, de casa para o sofá e do chão duro para o hospital.
Quero voltar a ser o que era, quero continuar a respirar o oxigénio de forma serena e inconsciente quero voltar a falar com os meus amigos, quero voltar a conseguir somar números unitários, DEIXEM-ME VIVER!!!! AFINAL EU NÃO FIZ MAL NENHUM Á TVI!!!

Ps.: Eu sei que vocês não têm centenas de telenovelas, mas para mim parecem-me centenas

Ps2.: Não consigo mudar de canal porque o comando partiu-se e a minha televisão tem os botões do “change channel” para dentro, devido a violentos confrontos com o meu crânio.


Ps3: Se me conseguissem arranjar um comando universal para televisões Siemens® eu até nem vos processava.

Aguardo resposta

MUC